A idéia se concretizou e a SBEC está completando 20 anos!
Texto histórico sobre os primeiros 20 anos da SBEC, preparado em 2005 por Zélia de Almeida Cardoso, sócia fundadora e honorária da SBEC, professora titular (inativa) de Língua e Literatura Latina da USP,
O texto poder ser visualizado em três partes
1. De 1984 a 1987
2. De 1988 a 1992
3. De 1993 a 2004
ou completamente, em formato .pdf (130 KB).
1. De 1984 a 1987
No início de 1984 foi divulgada nos meios acadêmicos a notícia de que se realizaria, em maio daquele ano, o I Congresso Nacional de Estudos Clássicos.
Para a comunidade científica, voltada para as pesquisas sobre a Antigüidade, a informação não poderia ser mais auspiciosa. Afinal, depois de anos e anos de restrições, abria-se uma possibilidade para que os estudiosos do assunto se reunissem, assistindo a apresentações de trabalhos e participando de grupos de estudo, intercambiando-se, ao mesmo tempo, experiências e informes sobre as investigações em curso.
E
o evento se realizou na data fixada. Em Belo Horizonte, promovido pelo
Departamento de Letras Clássicas da Faculdade de Letras da Universidade
Federal de Minas Gerais, cujo chefe, Prof. Jacyntho Lins Brandão, encabeçou
a Comissão Organizadora.
“Uma
idéia, uma vez vestida de palavras, pula de seu quase nada e, puxando
novas idéias e novas palavras em diálogo, cria realidades”, disse
ele na “Apresentação” do Programa do Congresso, ao lembrar que
esse fenômeno havia acontecido “quando se falou, pela primeira vez,
em promover-se um encontro de cultura clássica” a fim de congregarem-se
professores, estudantes e pesquisadores de todo o país que estivessem,
naquele momento, trabalhando com a Antigüidade. Essas pessoas foram
contactadas e convidadas a participar do encontro. E a idéia se tornou
realidade.
Tendo como eixo temático “O mito de Édipo”, o I Congresso Nacional de Estudos Clássicos se estendeu de 21 a 25 de maio de 1984, constando de conferências, palestras, comunicações, mesas-redondas e reuniões de grupos de trabalho. Presidiu à Sessão de Abertura o Prof. Dr. José Henrique Santos, Reitor da UFMG, e contou-se, nas sessões acadêmicas, com grande freqüência de estudantes e com a participação de pesquisadores da própria UFMG e, ainda, da FLM, da PUC-MG, da ESTEB-MG, do CSCJ-BH, do CPM, da FGV, da UFU, da UFOP, da USP, da UNESP, da UFRGS, da UFRJ, da UFF, da FFCLBH, da EGB. Dos trabalhos apresentados grande parte se filiou ao eixo temático, explorando o mito de Édipo, em seus diversos aspectos. Outros, porém, ou se ocuparam de mitos diferentes, ou abordaram assuntos paralelos, referentes à cultura antiga: o teatro clássico; a poesia greco-latina; temas históricos, sociais, filosóficos e jurídicos; a iconografia clássica; a herança dos antigos, o classicismo nas artes; as técnicas agrícolas romanas; a influência helênica no Novo Testamento; as línguas clássicas. Em horários alternativos foram exibidos filmes que exploravam temas de interesse geral; e o Èdipo Rei de Sófocles foi representado para os congressistas pelo Grupo Mineiro de Comédia, no Palácio das Artes.
A profusão de trabalhos, apresentados e discutidos em debates acalorados, foi aproveitada na edição de dois volumes de anais: no primeiro, organizado por Jacyntho Lins Brandão e intitulado O enigma em Èdipo Rei e outros estudos de teatro antigo, foram coligidos os trabalhos sobre o mito de Édipo e sobre dramaturgia, em seus múltiplos aspectos; no segundo, organizado por Neiva Ferreira Pinto e Jacyntho Lins Brandão e intitulado Cultura clássica em debate, foram reunidos os demais trabalhos.
Na Sessão Plenária, realizada no último dia do Congresso foi homologada a proposta de criação da Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos, a ser instalada oficialmente em julho de 1985, em Belo Horizonte, durante a 37a Reunião da SBPC, tendo sido indicada uma comissão que deveria tomar as medidas necessárias à organização da Sociedade e encarregar-se da redação provisória de seu Estatuto.
Graças
ao apoio dos vários órgãos da UFMG e também da Secretaria de Cultura
e Turismo de Belo Horizonte, do CNPq, do Consulado da Itália em Belo
Horizonte, da Embaixada da Grécia, do Centro de Recursos Humanos “João
Pinheiro” e de várias entidades privadas, o I Congresso Nacional
de Estudos Clássicos se constituiu numa iniciativa promissora, revestindo-se
do mais completo êxito. Pesquisadores antes disseminados pelos quatro
cantos do país tiveram a oportunidade de encontrar-se e de conhecer
o trabalho de seus pares; o nível das apresentações mostrou a qualidade
das pesquisas; o número de alunos que participaram do evento – tanto
oriundos da UFMG como de algumas outras unidades universitárias do
país – revelou o interesse das gerações novas pelos estudos sobre
a Antigüidade; o gérmen de uma sociedade científica voltada para
tais estudos estava pronto para florescer e frutificar.
Enquanto a Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos (SBEC) estava ainda em organização, o Departamento de Letras Clássicas da Faculdade de Letras da UFMG passou a enviar periodicamente aos interessados, a partir de julho de 1984, o Boletim de Estudos Clássicos (BEC), um pequeno jornal xerocopiado, com informes do interesse dos pesquisadores: notícias sobre a vinda e a presença de professores visitantes, sobre publicações, cursos, semanas de estudos, descobertas arqueológicas.
Em seu terceiro número, de fevereiro de 1985, o Boletim noticiou a abertura de inscrições para a 37a Reunião da SBPC, quando seria efetivamente fundada a Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos; no quarto, divulgou o Programa das atividades acadêmicas a serem então realizadas; no quinto, veiculou a Proposta do Estatuto da Sociedade, a ser discutida e votada durante a sessão de instalação.
A fundação da SBEC ocorreu, como previsto, a 13 de julho de 1985, em meio a uma compacta programação, de que constaram conferências, mini-conferências, simpósios, sessões de comunicações, mesas-redondas e atividades artísticas que se estenderam por uma semana, de 10 a 17 de julho. Mais uma vez reuniram-se pesquisadores e docentes da UFMG, USP, UFRJ, UNESP, UFRGS e UFF que, além de participarem dos encontros técnicos e burocráticos que se anteciparam à fundação da Sociedade, apresentaram trabalhos acadêmicos do melhor nível.
Fundada
a SBEC, foi votado e aprovado o Estatuto, de acordo com
o qual se caracterizou a Sociedade, estabelecendo-se seus objetivos
bem como os deveres dos sócios; foi eleita a primeira Diretoria e definida
a composição dos Conselhos Consultivo-Deliberativo e Fiscal;
acordou-se que a sede jurídica da SBEC
seria em Belo Horizonte, no Departamento de Letras Clássicas da Faculdade
de Letras da UFMG, e consideraram-se como sócios fundadores os docentes
e estudantes que estiveram presentes à assembléia de fundação, estendendo-se
o direito de pertencerem a essa categoria às pessoas que se associassem
à SBEC até 31 de dezembro de 1985.
A primeira Diretoria ficou assim constituída:
Para que se assegurasse maior participação, representatividade e descentralização, foi proposta a criação de Subsecretarias Regionais (mais tarde chamadas Secretarias Regionais) que cobrissem as diferentes regiões do país, designando-se os Subsecretários, mas deixando-se a definição da competência dessas Subsecretarias para ser estabelecida oportunamente.
Após essas medidas, acertou-se que a primeira reunião da Sociedade, bem como a primeira Assembléia Geral, seria realizada em Curitiba, em julho de 1986, durante a 38a Reunião da SBPC, fixou-se o valor da taxa de inscrição dos sócios e da anuidade e foi indicada uma Comissão Editorial encarregada de organizar as normas que norteariam a publicação de uma revista de estudos clássicos a ser editada pela SBEC.
No primeiro ano de existência da Sociedade, várias medidas importantes foram implementadas. O Boletim de Estudos Clássicos, que veiculava informações de grande interesse para os sócios, foi distribuído regularmente, de início sob a responsabilidade da Secretaria Geral da SBEC; regulamentou-se o funcionamento das oito Subsecretarias inicialmente criadas: NE1 (Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará), SE1 (Estado de Minas Gerais, exceto a Zona da Mata e o Sul do Estado), SE2 (Zona da Mata e o Sul do Estado de Minas Gerais), SE3 (Estado do Rio de Janeiro, exceto a Capital), SE4 (cidade do Rio de Janeiro), SE5 (São Paulo), S1 (Rio Grande do Sul e Santa Catarina) e S2 (Paraná); foram designados os primeiros Subsecretários Regionais; foi criada a Comissão Nacional de Comunicações da Sociedade, que se encarregaria da coordenação e da execução de todos os serviços de comunicação em nível nacional, estabelecendo-se que a publicação do Boletim de Estudos Clássicos (BEC) passaria a ser da competência de tal Comissão; foi solicitada e obtida a filiação da SBEC à SBPC; foi editado o primeiro volume dos Anais do I Congresso Nacional de Estudos Clássicos. As Subsecretarias Regionais, cada uma por sua vez, apoiaram iniciativas já tradicionais em algumas universidades – como a Semana de Estudos Clássicos, promovida pela UFRJ – e organizaram programações especiais (semanas de estudos, seminários, colóquios), divulgadas pelo BEC – foi o caso do Colóquio de Filosofia e Cultura Grega, promovido pela SE1, do Seminário de Estudos Clássicos, organizado pela SE3, em conjunto com a UFF, de um Ciclo de Palestras, proposto pela SE2, em conjunto com a UFJF; do Simpósio “As formas do épico”, realizado pela S1, em conjunto com a UFRGS, tendo os trabalhos apresentados em tal Simpósio sido publicados em 1992 em coletânea organizada por Miriam Barcellos Goettems e Myrna Bier Appel e intitulada As formas do épico, da epopéia sânscrita à telenovela.
No
início de 1986 foram divulgadas pelo BEC – já agora impresso – as
normas estabelecidas pela Comissão Editorial para regulamentar o periódico
científico que seria publicado pela SBEC, foi designada a
Comissão de Programa da 1a Reunião
Anual, a ser realizada em 1986, foram criadas mais duas Subsecretarias
Regionais – a NE2 (Bahia) e a CO1 (Brasília) – e concederam-se
os primeiros títulos de Sócio Honorário a personalidades destacadas
no campo dos estudos clássicos: o Pe. Milton Valente e o Prof. Heinrich
Adam Wilhelm Bunse, autores de importantes obras, já bastante conhecidas.
De 14 a 15 de julho de 1986, durante a 38a Reunião Anual da SBPC, a SBEC realizou no campus da UFPR, em Curitiba, sua primeira Reunião Anual, prevista no Estatuto, mais uma vez apoiada pelo CNPq e pela UFMG e, recebendo na ocasião, apoio da Transbrasil. A programação apresentada foi bastante densa, constando, como nos dois encontros anteriormente mencionados, de conferências, mini-conferências, simpósios e sessões de comunicações. Os trabalhos apresentados focalizaram a filosofia na Grécia e em Roma, a palavra poética, os gêneros literários, a historiografia clássica, os mitos, a herança clássica, a leitura dos textos clássicos, aspectos da cultura da Índia, a conceituação do herói, a questão da origem dos santuários gregos, o modo de produção asiático. Fizeram-se representar no evento pesquisadores oriundos da USP, UFMG, UFRJ, UnB, UFF, PUC-RJ, UFRGS, UGF, PUC-RS e UNESP. Em horário específico realizou-se a primeira Assembléia Geral. Decidiu-se, na ocasião, que as Reuniões Anuais da SBEC, daí em diante, não mais seriam realizadas em conjunto com a da SBPC. A própria SBEC as promoveria, por meio das Subsecretarias Regionais, contando com a parceria de Universidades sediadas no local em que se realizasse a Reunião, o que não impediria a Sociedade de participar, com atividades específicas, das reuniões da SBPC. De cinco em cinco anos haveria um Congresso Nacional. Acertou-se que a Reunião de 1987 seria realizada em Belo Horizonte e o II Congresso Nacional de Estudos Clássicos em São Paulo, em 1989.
Realizaram-se
na ocasião as reuniões estatutárias dos órgãos administrativos,
tendo o Conselho Consultivo-Deliberativo criado mais uma Subsecretaria
Regional, no Nordeste, a NE3, desmembrando-se o Estado do Rio Grande
do Norte dos demais que constituíam a NE1.
Após a Reunião Anual, as Subsecretarias Regionais continuaram a promover encontros de estudos clássicos e a apoiar eventos organizados por universidades. A SE1 realizou em Congonhas, em conjunto com a UFMG e com o apoio da Prefeitura local, o I Congresso Estadual de Estudos Clássicos; a SE5 apoiou a I Semana de Estudos Clássicos, realizada pelo Centro de Estudos Clássicos do ILCSE/UNESP, em Araraquara, cujo tema “Fedra-Hipólito: a permanência de um mito clássico” deu também o título à coletânea de trabalhos então apresentados, organizada por Maria Celeste Consolin Dezotti e publicada em 1987; a SE4 apoiou a realização, pela UFRJ, da VII Semana de Estudos Clássicos; a SE3, em conjunto com a UFF, promoveu o II Seminário de Estudos Clássicos; a S1, em conjunto com a UFRGS, responsabilizou-se pelo Ciclo de Palestras intitulado “O herói na Antigüidade clássica e nos Quadrinhos” e pelo Seminário Internacional “Atualidade do mito”, do qual participaram especialistas do país e do exterior. Os trabalhos apresentados em tal Seminário foram publicados em 1991 na coletânea Mito ontem e hoje, organizada por Donaldo Schüler e Miriam Barcellos Goettens.
Em março de 1987 a Secretaria Geral da SBEC criou o Serviço de Intercâmbio Científico (SIC) que substituiu a Comissão Nacional de Comunicações e que teria o objetivo de promover a cooperação entre especialistas e estudiosos da Antigüidade Clássica por meio de três programas: a divulgação de monografias em uma série de opúsculos denominados Textos de Cultura Clássica, que já vinham sendo publicados; a publicação de bibliografias, sumários de revistas e elencos de projetos de pesquisa, em uma série denominada Intercâmbio; e, finalmente, a promoção de cursos suplementares sobre temas clássicos. Preparava-se, nesse meio tempo, o primeiro número de Classica, a revista brasileira de estudos clássicos que, por exigência estatutária seria publicada pela SBEC.
De
1987 a 1993 as Reuniões Anuais se realizaram normalmente, contemplando
sempre o conjunto de disciplinas que compõem os chamados Estudos Clássicos
(Línguas e Literaturas Clássicas, Arqueologia, Antropologia, História
Antiga, Filosofia) e atraindo pesquisadores e estudantes provenientes
de numerosas universidades do país.
Em 1987, realizada em Belo Horizonte, a 2a Reunião Anual da SBEC contou, na Sessão de Abertura, com a especial participação da Profa. Dra. Maria Helena da Rocha Pereira, da Universidade de Coimbra, ficando a seu cargo a conferência inaugural. Consolidava-se o intercâmbio da SBEC com instituições internacionais, num profícuo trabalho de cooperação científica. O evento, apoiado pelo CNPq, pela UFMG, pela Fundação Calouste Gulbenkian e pelo Instituto de Recursos Humanos “João Pinheiro”, se caracterizou por organizar-se em sessões temáticas (Lingüística, Filosofia, Artes, História, Literatura, História da Ciência, Antropologia, Literatura e Filosofia Medieval, Arqueologia, Teatro, Mitologia, Mitologia e Religião); em horários específicos foram ministrados cursos destinados aos alunos, foi feito o lançamento de alguns livros e houve apresentações musicais e teatrais. Realizaram-se as reuniões administrativas, de Conselhos e Secretários Regionais, tendo sido criadas a Secretaria Regional NE4 (Ceará), desmembrada da NE1, e uma Seção Local em Santa Catarina. Criou-se também a Assessoria para Assuntos Internacionais, vinculada à Presidência, tendo a Profa. Dra. Haiganuch Sarian sido indicada para o cargo de Assessora. A Assembléia Geral recompôs os Conselhos, substituindo conselheiros com mandatos vencidos, conferiu títulos de Sócios Honorários aos professores Eudoro de Souza, da UnB, e Madre Maria da Eucaristia Danielou, da USU, homologou a inscrição de novos sócios, inclusive a de sócios correspondentes e institucionais e elegeu a segunda Diretoria da SBEC, que ficou assim constituída:
Posteriormente, como a Tesoureira pediu demissão, por motivos de ordem particular, foi indicada para ocupar o cargo vacante Marinete José Ribeiro de Oliveira Santana, da UFRJ.
A partir de setembro de 1987, o BEC passou a ser da responsabilidade do Serviço de Intercâmbio Científico e foi anexada ao informativo a publicação Intercâmbio, até então autônoma. Pelas informações veiculadas pelo BEC os sócios da SBEC puderam continuar acompanhando o trabalho das Secretarias Regionais e suas realizações: a II Semana de Estudos Clássicos promovida pela Seção Local de Araraquara, o III Seminário de Estudos Clássicos, pela SE3; o Simpósio de História Antiga e Medieval, pela SE1 em conjunto com a UFMG; o curso de extensão “Cultura grega clássica”, pela S1. Os trabalhos apresentados nesse curso foram coligidos em livro (Cultura grega clássica), organizado por Loiva Otero Félix e Miriam Barcellos Goettems e publicado posteriormente.
[continua na parte 2]
2. De 1988 a 1992
Em
março de 1988, a Comissão Editorial que havia sido encarregada de
propor normas que regulamentassem o periódico científico a ser publicado
pela SBEC encaminhou um Relatório à Presidência, dando conta
de seus trabalhos de organização do primeiro número de Classica,
que estava sendo entregue naquele momento à gráfica da CODAC (USP)
para ser publicado. Houve alguns problemas, porém, tanto de ordem técnica
como, principalmente, de ordem econômica, que retardaram a publicação:
lembre-se que o país atravessava um período especialmente difícil
para a economia brasileira, com inflação galopante, o que destruía,
em pouco tempo, os orçamentos, previsões de gastos e até mesmo os
recursos concedidos. O primeiro número de Classica
se ressentiu duramente dessa situação e só pôde ser publicado no
final do ano seguinte.
A 3a Reunião Anual da SBEC foi realizada em julho de 1988 no Rio de Janeiro, com recursos oferecidos pelo CNPq e com o apoio da Amil, da ASESCC e, sobretudo, de diversos órgãos da UFRJ. O eixo temático do evento foi Palavra e pensamento na Antigüidade clássica. Dele participaram, além de conferencistas provenientes de algumas universidades nacionais (Profs. Drs. Maria do Carmo Pandolfo, Guida Nedda Barata Parreiras Horta, Miguel Chalub e José Américo Pessanha, da UFRJ, Anna Lia Amaral de Almeida Prado e Nelson Papavero, da USP, e Donaldo Schüler, da UFRGS ), três pesquisadores convidados, de universidades estrangeiras: a Profa. Dra. Arminda Lozano, da Universidad Complutense, de Madri, que pronunciou a conferência da Sessão de Abertura, o Prof. Dr. Antonio Piñero Saenz, também da Universidad Complutense, e o Prof Dr. Anthony Leeds, da Universidade de Boston. A exemplo dos eventos anteriores, além dessas conferências, houve numerosas mesas-redondas e sessões de comunicações, apresentadas por pesquisadores, reservando-se espaço para as reuniões administrativas de praxe. Como atividades artísticas ressaltam-se um recital de violões, ocorrido após a Sessão de Abertura, e as várias leituras dramáticas de peças clássicas realizadas pelo Grupo “Giz-en-Scène”.
Foi criada, na ocasião, a Secretaria Regional CO2, abrangendo os Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, e foram reorganizadas a Secretarias do Nordeste, fundindo-se a NO1 e NO3 e alterando-se a designação da NO4 para NO3.
Ao
fazer um comentário sobre a 3a Reunião Anual, enfatizando
o papel da UFRJ na co-realização do evento, assim se expressou Jacyntho
Lins Brandão, em texto publicado no BEC
26, p. 1-2: “As Reuniões Anuais vão-se impondo como momento
privilegiado na vida de SBEC. De ano para ano pode-se constatar
o aprimoramento dos processos de organização, a elevação do nível
da programação científica, o enriquecimento da programação artística,
o aumento do número de participantes e a diversificação de sua procedência”.
A Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos adquirira, pois, “as
qualidades e feições próprias de uma sociedade científica”.
A partir da 3a Reunião acentuou-se a presença de pesquisadores estrangeiros em eventos promovidos pela SBEC, fato importantíssimo para a troca de experiências e informações e o estreitamento da cooperação mútua. Na 4a Reunião Anual, realizada em 1989 em São Paulo, simultaneamente com o II Congresso Nacional de Estudos Clássicos, subordinado ao tema Mito, religião e sociedade, além de cinco conferencistas brasileiros, convidados a participar do evento por sua alta qualificação – os Profs. Dr. Alfredo Bosi (USP), José Cavalcante de Souza (USP), Ciro Flammarion Cardoso (UFF) Donaldo Schüler (UFRGS) e Izidoro Blikstein (USP) –, sete pesquisadores do exterior pronunciaram conferências: os Profs. Drs. Michele Coccia (Università di Roma), Martin L. West (University of London), Mireille Corbier (CNRS-Paris), Filippo Coarelli (Università di Perugia), José Nunes Carreira (Universidade de Lisboa), José Riquelme Otálora (Universidad de Zaragoza) e Olivier Reverdin (Fondation Hardt – Suíça). Três pesquisadoras de universidades argentinas compareceram ao evento, como delegadas de suas instituição de origem, trazendo credenciais e estabelecendo o início de um profícuo trabalho de intercâmbio entre os dois países, que se estende até hoje.
Das mais de cento e vinte comunicações apresentadas no Congresso, sessenta e três foram encaminhadas à publicação, dando origem à coletânea intitulada Mito, religião e sociedade – Atas do II Congresso Nacional de Estudos Clássicos, organizada por Zelia de Almeida Cardoso e publicada em 1991, com recursos concedidos por VITAE Apoio à Cultura, Educação e Promoção Social. Os três cursos destinados aos alunos tiveram excelente freqüência. As atividades artísticas ficaram a cargo da Orquestra Sinfônica da USP, que participou da Sessão de Abertura, do Coralusp, que se apresentou na Sessão de Encerramento, e do Grupo “Giz-en-Scène” que fez leituras dramáticas de textos clássicos. As reuniões administrativas se realizaram normalmente, inclusive a primeira reunião do Conselho Editorial, que havia sido criado em janeiro de 1989.
Durante essa Reunião, que contou com o apoio da USP, do CNPq, da FAPESP, dos Bancos do Brasil e Itaú, da CEF e de algumas empresas privadas tais como a Klabin, a Metal Leve, a Nestlé e a São Paulo Indústrias Gráficas, foi eleita a terceira Diretoria que assim ficou constituída:
Posteriormente, por motivos de ordem pessoal, Dea Portanova de Barros pediu demissão de seu cargo, tendo o Presidente assumido os trabalhos que seriam da responsabilidade do Secretário Geral.
Infelizmente, a partir de outubro de 1989, o BEC deixou de circular. Embora os estudos clássicos estivessem consolidados, as Secretarias Regionais continuassem a realizar suas atividades, promovendo semanas de estudos, seminários e simpósios, as notícias sobre tais iniciativas se tornaram mais rarefeitas, escapando a muitos dos sócios da SBEC informações precisas sobre elas.
As
outras publicações, entretanto, seguiram seu curso. Durante o biênio
89/91, foram publicados doze números de Textos de Cultura Clássica
e entre o final de 1989 e o início de 1990 foram enviados aos sócios
os dois primeiros números da revista Classica, finalmente publicados
graças a recursos concedidos pelo CNPq.
A 5a Reunião Anual, cujo eixo temático foi “Vinho e pensamento”, recebeu novamente o apoio do CNPq e também da UFRGS, da CODEC/RS, do Banrisul, do Meridional, da FAPERGS e, sobretudo, da Prefeitura de Garibaldi, RS, município onde foi realizada, em julho de 1990. Constatou-se, nessa Reunião, de forma evidente, o resultado do primeiro encontro estabelecido no ano anterior entre investigadores argentinos e brasileiros, dedicados aos estudos clássicos: inscreveram-se para participar do evento vinte e um pesquisadores, provenientes das Universidades Nacionais de Buenos Aires, Rosário e La Plata, bem como da Universidad Católica Argentina. O número de trabalhos apresentados nessa Reunião foi bastante elevado – cento e onze trabalhos –, os sete cursos oferecidos sobretudo a alunos tiveram excelente freqüência e as reuniões administrativas correram de forma satisfatória.
Das
comunicações apresentadas, trinta foram coligidas no livro intitulado
Vinho e pensamento, organizado por Nely Maria Pessanha e Vera Regina
Figueiredo Bastian e publicado no ano seguinte com o apoio da Prefeitura
de Garibaldi.
A 6a Reunião Anual da SBEC, apoiada pela UFMG, pelo CNPq, pela FAPEMIG e por várias empresas privadas, ocorreu em setembro de 1991, em Belo Horizonte, em conjunto com o IV Simpósio de História Antiga e Medieval, constando de conferências, mesas-redondas e reuniões de Grupos de Trabalhos, nas quais se inseriram as comunicações inscritas. Foram convidados docentes e pesquisadores para pronunciar conferências, participar das mesas-redondas e coordenar os numerosos GTs, em que foram apresentadas 108 comunicações, das quais, graças a um auxílio específico da FAPEMIG, foi publicada uma seleção no Suplemento 1 de Classica, organizado por Jacyntho Lins Brandão e Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa. Como atividades artísticas da 6a Reunião, foi apresentado um concerto de piano e flauta, na Sessão de Abertura; uma adaptação livre de tragédias de Èsquilo e Eurípides foi levada à cena pela Companhia Teatral “Mergulho no Trágico”, que coordenou alguns workshops no decorrer do evento; houve também uma leitura dramática, conduzida pelo Grupo “Giz-en-Scène”, e uma apresentação de serestas, realizada pelo Conjunto Diamantina.
A Assembléia Geral renovou os Conselhos e elegeu a Diretoria para o biênio 91/93. Assim ficou ela constituída:
A 7a Reunião Anual da SBEC foi realizada em Araraquara em 1992, como promoção conjunta da Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos e da UNESP. Uma vez que se comemorava nesse ano o bimilenário de Horácio e o quinto centenário da descoberta da América, foram dois os eixos temáticos da Reunião: “Horácio: dois mil anos” e “Viagens e descobrimentos”. O evento constou de 15 conferências, 9 minicursos e 145 comunicações, algumas compondo mesas-redondas e GTs, alternando-se as sessões acadêmicas com reuniões administrativas e atividades artísticas. Os trabalhos apresentados, dos quais grande parte se filiou aos eixos temáticos, exploraram também outros filões, que forneceram o temário dos GTs: “Lingüística e filologia”, “Literatura latina e grega”, “História”, “Filosofia”, “Arqueologia”, “Intertextualidade”. Entre os conferencistas convidados havia diversos pesquisadores estrangeiros, o que contribuiu para conferir à Reunião um caráter de internacionalidade: os Profs. Drs. Pierre Lévêque (Université de Besançon), Elisabeth Caballero de Del Sastre (Universidad de Buenos Aires), Giusto Mônaco (Istituto Nazionale del Dramma Ântico), Monique Clavel-Lévêque (Université de Besançon), Carlo Santini (Università degli Studi di Perugia). Apresentaram comunicações pesquisadores brasileiros provenientes da UNESP, USP, UFRJ, UFPR, UFPB, UFF, UNICAMP, FUEM, USU, UFRGS, FATEC, UFOP, UNB, URG, UFES, FNB, UFJF, FCJA, FUNREI, e vinte e cinco pesquisadores argentinos oriundos da UBA, UNLP, UNRos, Unipan, Conicet e UnLaPampa. As atividades artísticas constaram de leituras de textos clássicos, shows alusivos ao evento e apresentações de balé, danças gregas e peças teatrais.
A
SBEC recebeu o apoio da do CNPq, da FAPESP, da UNESP e de empresas
tais como Nigro, Cutrale e Lupo, o que permitiu não só a realização
do evento como a publicação de uma seleção de trabalhos apresentados
no Suplemento 2 de Clássica, organizado por Sílvia Maria S.
de Carvalho, Edvanda Bonavina da Rosa, Fernando Brandão dos Santos
e José Dejalma Dezotti.
Em 1993 realizou-se a 8a Reunião Anual da SBEC, na UFF, em Niterói, subordinada ao tema “Linguagem e poder na Antigüidade Clássica” e apoiada pelo CNPq, FAPERJ, UFF, UFRJ, Unibanco, Amil e Swains Arte. Contou-se, entre os conferencistas que apresentaram trabalhos no evento, com alguns convidados estrangeiros (Profs. Drs. Maria Helena da Rocha Pereira, da Universidade de Coimbra; Giuseppina Grammatico, da UMCE, Jean Bottéro, da École Pratique des Hautes Études), foram ministrados seis cursos, destinados sobretudo a alunos, e apresentadas 133 comunicações, a maioria das quais reunidas em onze GTs: “Antigüidade tardia”, “O discurso amoroso na Grécia e em Roma”, “O ensino das línguas clássicas”, “Filosofia, política e linguagem”, “Literatura e sociedade no Mundo Antigo”, “A mulher no Mundo Antigo”, “Relações de poder na Antigüidade”, “Retórica, política e poder”, “Do teatro clássico ao contemporâneo”, “Teorias da linguagem na Antigüidade”, “A tradição clássica na América”.
Recompuseram-se os Conselhos, de acordo com os Estatutos, e elegeu-se a Diretoria que responderia pela SBEC no biênio 93/95:
Posteriormente,
como a Secretária Geral pediu demissão, por motivos de ordem particular,
Antonio Orlando de Oliveira Dourado Lopes, da UFMG, foi indicado para
assumir o cargo vacante.
Dadas
as dificuldades econômicas que a SBEC vinha enfrentando nos
últimos anos para a realização de eventos, foi proposta e aprovada
pela Assembléia Geral uma alteração do Estatuto no que se referia
à exigência de uma Reunião Anual. As Reuniões passariam a ser bienais
e os congressos se realizariam de seis em seis anos dessa data para
a frente, marcando-se para 1995 a 9a Reunião, que seria
realizada conjuntamente com o III Congresso Nacional de Estudos Clássicos,
no Rio de Janeiro.
[continua na parte 3]
3. De 1993 a 2004
O biênio 93/95 foi marcado pelo implemento dado a algumas publicações da SBEC. Os Textos de Cultura Clássica que não haviam sido publicados desde 1991, reapareceram, com novo projeto gráfico, apoiado inicialmente pela União Latina e pelo IFCS da UFRJ e, depois, pelo PPGF da UFRJ, sendo Maria das Graças de Moraes Augusto a Editora Responsável; foi criado o BLAEC (Boletim Latino-Americano de Estudos Clássicos), periódico informativo da responsabilidade da SBEC, em conjunto com a AADEC (Asociación Argentina de Estúdios Clásicos) e com a SCEC (Sociedad Chilena de Estúdios Clásicos), financiado pela União Latina e tendo Jacyntho Lins Brandão como Editor Responsável; foram publicados, condensados num único volume os números 5 e 6 de Clássica – a condensação de dois números do periódico num único volume, expediente que passou a ser empregado desde então, foi a forma encontrada pelo Conselho Editorial para amenizar problemas técnicos e financeiros decorrentes da publicação anual.
Em 1995, quando se comemorava o 10o aniversário da SBEC, realizou-se, no Rio de Janeiro, conforme previsto, a 9a Reunião conjuntamente com o III Congresso Nacional de Estudos Clássicos, tendo por eixo temático “As representações da Antigüidade Clássica”. O evento, sediado pela UFRJ, primou pela excelente organização. Na Sessão de Abertura pronunciou a conferência inaugural o Prof. Dr. Peter Wülfing, da Universidade de Colônia, discorrendo sobre o De bello Gallico, de César. As sessões acadêmicas se constituíram de Seminários, GTs e sessões de comunicações livres. Os Seminários se realizaram no período da manhã e abordaram os seguintes assuntos: História, Filologia, Filosofia, Literatura, Arqueologia. Para cada Seminário foram convidados dois expositores que discorreram sobre tema previamente estabelecido, sendo as exposições seguidas de debates. Os GTs, para os quais houve inscrição antecipada, consistiram em discussões de trabalhos inscritos, de assunto correlato, distribuindo-se aos participantes, sob a forma de cadernos impressos, os textos que seriam discutidos. Subordinaram-se tais GTs aos seguintes temas: “O ensino das línguas clássicas”, “Tradição clássica na América”, “Antigüidade tardia”, “Antropologia e estudos clássicos”, “Filosofia, política e linguagem”, “O discurso amoroso na Grécia antiga”, “Literatura e sociedade”, “Relações de poder na Antigüidade”, “Do teatro clássico ao contemporâneo”, “Teorias de linguagem na Antigüidade”, “Estratégias narrativas da historiografia antiga”. As comunicações livres, em pequeno número, corresponderam a exposições de trabalhos cujo assunto não se filiava aos temas dos GTs.
Quatro cursos foram ministrados e no último dia, antes do Encerramento, houve uma sessão plenária, que constou de uma mesa-redonda sobre os estudos clássicos na América Latina, coordenada por Maria das Graças de Moraes Augusto e da qual participaram Giuseppina Grammatico (UMEC – Chile), Jacyntho Lins Brandão (UFMG – Brasil), Ester Paglialunga (Universidad de los Andes – Venezuela) e Rodolfo Pedro de Buzón (UBA – Argentina). Algumas unidades universitárias do exterior e do país se fizeram representar nesse evento pela primeira vez, por meio de pesquisadores que apresentaram trabalhos. Foi o caso da Universidade de Indiana (USA), da Universidad de los Andes (Venezuela), da UNAM (México), da Universidad de Tucuman (Argentina) e das seguintes universidades nacionais: UFMS, UERJ, PUC/CAMP, UFBA, UEM, UFSM, PUC/RJ, Universidade Federal de Viçosa. Essas unidades universitária se somaram àquelas que, desde a fundação da SBEC vinham participando de seus eventos com assiduidade e brilho.
Como atividades complementares do III Congresso Nacional de Estudos Clássicos, destacam-se a abertura da bela exposição “Antigüidade Clássica”, na Biblioteca Nacional, e o lançamento de publicações da SBEC tais como o segundo número do Boletim Latino-Americano, o 17o de Textos de Cultura Clássica e os números 5/6 de Classica.
A Assembléia Geral elegeu, na oportunidade a nova Diretoria da SBEC:
Durante a gestão dessa Diretoria foram tomadas algumas medidas no referente à visibilidade das atividades da SBEC e à comunicação entre seus diversos órgãos e Secretarias Regionais. Foi feito o recadastramento dos sócios, foi regularizada a situação de algumas Secretarias, foram propostas algumas alterações no Estatuto, intensificou-se a correspondência com os sócios e, para veicular notícias do interesse geral – atividades das Secretarias Regionais, publicações, teses, eventos – foi criado o Informativo SBEC, nos moldes do antigo BEC, e a página da SBEC na internet, mensalmente alimentada com dados novos.
A
10a Reunião, cujo tema foi “Escrita e oralidade no mundo
clássico”, se realizou em São Paulo, em 1997, contando com recursos
concedidos pelo CNPq, FAPESP e União Latina e com o apoio da USP. Para
participarem do evento foram convidados onze conferencistas, dos quais
sete eram provenientes de instituições estrangeiras (os Profs. Drs.
François Paschoud, da Université de Génève, Jackie Pigeaud, da Université
de Nantes, Philippe Bruneau, da UPS, Michèle Brunet, da UPS, Walter
Burkert da Universidade de Zurique, Alfredo Eduardo Fraschini, da Universidad
de Buenos Aires, e Roland Etienne, da EFA) e três de universidades
brasileiras (Profs. Drs. José Cavalcante de Souza, da USP, Donaldo
Schüler, da UFRGS, Norberto Luiz Guarinello, da USP); foram ministrados
oito cursos, dos quais quatro por pesquisadores convidados (Profs. Drs.
Rodolfo Pedro Buzón e Pablo Adrián Cavallero, do CONICET-UBA, Maria
de Fátima Silva e Sebastião Pinho, da Universidade de Coimbra, Ana
Maria de Tobia, da Universidad Nacional de La Plata). Inscreveram-se
66 participantes para 15 sessões de comunicações coordenadas e 125
para 32 mesas de comunicações livres; e houve uma mesa-redonda dedicada
especialmente a trabalhos de Arqueologia, contando com a presença de
dois especialistas estrangeiros (Profs. Drs. Emanuel Bouzon e René
Treuil). No total, cerca de 220 trabalhos acadêmicos foram apresentados
por pesquisadores brasileiros provenientes do Acre, Bahia, Ceará, Distrito
Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais,
Paraná, Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina
e São Paulo, e por pesquisadores do exterior vindos da Argentina, Uruguai,
Portugal, Espanha, França, Suíça e Grécia. Muitos desses trabalhos
foram publicados como artigos em Classica 11/12 e 13/14.
Durante a Reunião, a Assembléia Geral elegeu a Diretoria que se responsabilizaria pelo biênio 97/99:
A nova Diretoria deu seqüência aos trabalhos anteriores, manteve o Informativo SBEC sempre atualizado e organizou com cuidado a 11a Reunião da SBEC que foi realizada em 1999, na UNESP, no campus de Araraquara. Como em eventos anteriores contou-se com recursos oferecidos pelo CNPq e pela FAPESP e com o apoio de várias empresas privadas e bancos. Ao eixo temático “Arte, saber e cidadania na Antigüidade Clássica” filiou-se grande parte dos mais de duzentos trabalhos apresentados como comunicações coordenadas ou livres. As conferências ficaram a cargo de pesquisadores convidados, do país (Profs. Drs. Maria Sylvia de Carvalho Franco e Luiz Marques, da UNICAMP, Henrique Graciano Murachco e Sérgio Mascarenhas, da USP, Alceu Dias Lima, da UNESP) e do exterior (Profs. Drs. François Hartog, da EHESS, Juan Miguel de Mora, da UNAM, Rodolfo Buzón, da UBA, e Paulo Butti de Lima, da Università di San Marino); dez cursos foram ministrados, dirigidos especialmente a alunos. Além das reuniões administrativas, houve dois importantes encontros – o da “International Plato Society” e o do “Projeto Apollonia” – e demonstrações do “Centro de Estudos Lexicográficos”, do “Centro Virtual de Estudos Clássicos” e da home page “Grécia Antiga”. Como atividades complementares houve exibições de filmes seguidas de debates, leituras dramatizadas realizadas pelo Grupo “Giz-en-scène” e espetáculos teatrais.
Foi eleita a seguinte Diretoria para o biênio 99/2000:
Posteriormente,
tendo a Secretária Geral pedido demissão por razões de ordem pessoal,
Fábio Faversani, da UFOP, foi indicado para preencher o cargo.
Promovida pela SBEC, em parceria com a UFMG, a UFJF e a UFOP, e apoiada pelo CNPq e pela FAPEMIG, a 12a Reunião se realizou em 2001, em Ouro Preto, juntamente com o IV Congresso Nacional de Estudos Clássicos, subordinado ao tema “Antigüidades”. Foram inscritos para apresentação mais de 350 trabalhos. Quatro pesquisadores convidados pronunciaram conferências (Profs. Drs. Jaume Pórtulas Ambrós, da Universidade de Barcelona; Haiganuch Sarian, da USP; Annie Artaud-Portelli e Pascal Arnaud, da Universidade de Nice) que se somaram à conferência de encerramento proferida pela Presidente da SBEC, Neiva Ferreira Pinto; chamou a atenção, no evento, a quantidade de cursos ministrados: doze, sobre diversos assuntos, sendo dois por professores estrangeiros (Bianca A. Quiñonez , da UNT, e Lia Galán e Maria Delia Buisel, da ULP); oito painéis, com amostras da produção científica do país, foram expostos no hall do Centro de Convenções, onde se realizaram as atividades acadêmicas.
Uma nova Diretoria, para o biênio 2001/2003 foi eleita pela Assembléia Geral:
Como
posteriormente a Secretária Geral e a Secretária Adjunta se demitiram
por razões de ordem pessoal, foram elas substituídas por Paula Branco
de Araújo Brauner e Antonio Henrique Nogueira, ambos da UFPEL.
Realizado pela SBEC, em co-promoção com a UFPEL, a UCPEL, a UFRGS, a Ulbra, a UniRitter e a PucRs, com o patrocínio da CAPES, da FAPERGS, do Instituto Camões, do Banco do Brasil e da prefeitura de Pelotas, e com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e de várias empresas do Rio Grande do Sul, o V Congresso Nacional de Estudos Clássicos ocorreu em 2003, juntamente com a 13a Reunião da Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos, em Pelotas, subordinado ao tema “Fronteiras e etnicidade”.
Amplamente divulgada pela internet, por meio de Circulares e Informativos (que passaram a substituir o antigo Informativo impresso), o Congresso teve programação intensa que constou de conferências pronunciadas por pesquisadores convidados (José d’Encarnação, da Universidade de Coimbra; Cécile Michel, do CNRS/França; Ciro Flammarion Cardoso, da UFF), palestras, mesas-redondas, sessões de comunicações, mini-cursos e painéis. As atividades culturais complementares constaram de apresentações musicais e teatrais.
A
Assembléia Geral elegeu a nova Diretoria que deveria responsabilizar-se
pelo biênio 2003/2005 e que teria entre outros encargos a incumbência
de
O XII Congresso da FIEC se realizou dentro das previsões. Preparado desde 2001, promovido pela FIEC, pela SBEC e por diversas Universidades brasileiras (UFMG, USP, UFOP, UNESP, UFJF e UFRJ), contou com o apoio de numerosas financiadoras, entidades e empresas nacionais e estrangeiras, fundações, institutos e embaixadas, e constou de duas conferências (de abertura e encerramento do evento), 15 mesas-redondas, realizadas no período da manhã nos quatro dias em que ocorreu o evento, cada uma das quais contando com a participação de quatro pesquisadores especialmente convidados, e 64 sessões de comunicações que se realizaram no período da tarde, cada uma com quatro ou cinco participantes. Foram exibidos 86 painéis (posters), com amostras da produção brasileira em estudos clássicos, e houve diversas atividades culturais durante o evento: exposições de gravuras, desenhos e fotos, apresentação de choros e corais, mostra de curtas-metragens. Na Sessão de Encerramento, após a conferência de Annie Bélis, do CNRS de Paris, subordinada ao título “Chante pour les Muses et pour moi: esthétique musicale de l’Antiquité grecque et romaine”, o Ensemble Kérylos, de Paris, sob sua direção, se apresentou com dez peças musicais para cuja execução foram utilizadas réplicas de instrumentos gregos e romanos.
Foi,
sem dúvida, o maior empreendimento da SBEC em toda a sua existência:
um Congresso do qual constou a apresentação de mais de trezentos trabalhos
científicos, com a presença de sessenta convidados, a maioria dos
quais provenientes de unidades universitárias do exterior, e que contou
com centenas de pessoas inscritas.
Durante
todos esses anos em que se realizaram dezenas e dezenas de atividades
culturais e eventos, os sócios e as Diretorias da SBEC marcaram
também sua presença, junto a outras associações científicas, comparecendo
como convidados ou participantes a numerosos encontros e reuniões realizados
no país e no exterior. Estiveram presentes, anualmente, nas reuniões
da SBPC, compareceram a eventos promovidos pela ANPOLL, ANPOCS, ANPOF,
ANPUH, GEL, CELLIP, ABA, CPA, AADEC, PARSA e por universidades do país
e de fora: Cuba, Estados Unidos, Canadá, México, Portugal, França,
Suíça, Itália, Grécia, Argentina, Uruguai, Chile. Delegações da
SBEC têm participado regularmente dos Congressos qüinqüenais
da FIEC. As relações entre a SBEC e a FIEC são muito estreitas,
o que se deve, em grande parte, ao fato de Haiganuch Sarian, primeira
Presidente da Sociedade, ter sido delegada da FIEC e membro de sua Diretoria.
A realização do XII Congresso da FIEC no Brasil é a melhor prova
da confiança depositada na SBEC
pela FIEC e do prestígio de nossa Sociedade.
Terminado o evento em Ouro Preto, a Diretoria da SBEC começou a planejar a 14a Reunião e o VI Congresso Nacional de Estudos Clássicos – evento que marcará o 20o aniversário da instituição. O eixo temático desse encontro será “Memória e Festa”. “Memória” porque é necessário lembrar tudo aquilo que se fez nestes vinte anos que se completam em julho de 2005; “festa” porque é preciso celebrar e comemorar. Festejar com alegria, entusiasmo e esperança, lançando um olhar quiçá saudoso para trás, mas, por outro lado, um olhar para a frente também, cheio de confiança nos dias que virão e, sobretudo, nessa juventude que aí está, pronta para levar adiante o sonho que se transformou em realidade, a idéia que se consubstanciou nessa bela concretização.
Julho de 2005
Zélia de Almeida Cardoso
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