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Sbec 20 anos: uma história - II
Zélia de Almeida Cardoso *
1988-1992

Em março de 1988, a Comissão Editorial que havia sido encarregada de propor normas que regulamentassem o periódico científico a ser publicado pela SBEC encaminhou um Relatório à Presidência, dando conta de seus trabalhos de organização do primeiro número de Classica, que estava sendo entregue naquele momento à gráfica da CODAC (USP) para ser publicado. Houve alguns problemas, porém, tanto de ordem técnica como, principalmente, de ordem econômica, que retardaram a publicação: lembre-se que o país atravessava um período especialmente difícil para a economia brasileira, com inflação galopante, o que destruía, em pouco tempo, os orçamentos, previsões de gastos e até mesmo os recursos concedidos. O primeiro número de Classica se ressentiu duramente dessa situação e só pôde ser publicado no final do ano seguinte.

A 3a Reunião Anual da SBEC foi realizada em julho de 1988 no Rio de Janeiro, com recursos oferecidos pelo CNPq e com o apoio da Amil, da ASESCC e, sobretudo, de diversos órgãos da UFRJ. O eixo temático do evento foi Palavra e pensamento na Antigüidade clássica. Dele participaram, além de conferencistas provenientes de algumas universidades nacionais (Profs. Drs. Maria do Carmo Pandolfo, Guida Nedda Barata Parreiras Horta, Miguel Chalub e José Américo Pessanha, da UFRJ, Anna Lia Amaral de Almeida Prado e Nelson Papavero, da USP, e Donaldo Schüler, da UFRGS ), três pesquisadores convidados, de universidades estrangeiras: a Profa. Dra. Arminda Lozano, da Universidad Complutense, de Madri, que pronunciou a conferência da Sessão de Abertura, o Prof. Dr. Antonio Piñero Saenz, também da Universidad Complutense, e o Prof Dr. Anthony Leeds, da Universidade de Boston. A exemplo dos eventos anteriores, além dessas conferências, houve numerosas mesas-redondas e sessões de comunicações, apresentadas por pesquisadores, reservando-se espaço para as reuniões administrativas de praxe. Como atividades artísticas ressaltam-se um recital de violões, ocorrido após a Sessão de Abertura, e as várias leituras dramáticas de peças clássicas realizadas pelo Grupo “Giz-en-Scène”.

Foi criada, na ocasião, a Secretaria Regional CO2, abrangendo os Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, e foram reorganizadas a Secretarias do Nordeste, fundindo-se a NO1 e NO3 e alterando-se a designação da NO4 para NO3.

Ao fazer um comentário sobre a 3a Reunião Anual, enfatizando o papel da UFRJ na co-realização do evento, assim se expressou Jacyntho Lins Brandão, em texto publicado no BEC 26, p. 1-2: “As Reuniões Anuais vão-se impondo como momento privilegiado na vida de SBEC. De ano para ano pode-se constatar o aprimoramento dos processos de organização, a elevação do nível da programação científica, o enriquecimento da programação artística, o aumento do número de participantes e a diversificação de sua procedência”. A Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos adquirira, pois, “as qualidades e feições próprias de uma sociedade científica”.

A partir da 3a Reunião acentuou-se a presença de pesquisadores estrangeiros em eventos promovidos pela SBEC, fato importantíssimo para a troca de experiências e informações e o estreitamento da cooperação mútua. Na 4a Reunião Anual, realizada em 1989 em São Paulo, simultaneamente com o II Congresso Nacional de Estudos Clássicos, subordinado ao tema Mito, religião e sociedade, além de cinco conferencistas brasileiros, convidados a participar do evento por sua alta qualificação – os Profs. Dr. Alfredo Bosi (USP), José Cavalcante de Souza (USP), Ciro Flammarion Cardoso (UFF) Donaldo Schüler (UFRGS) e Izidoro Blikstein (USP) –, sete pesquisadores do exterior pronunciaram conferências: os Profs. Drs. Michele Coccia (Università di Roma), Martin L. West (University of London), Mireille Corbier (CNRS-Paris), Filippo Coarelli (Università di Perugia), José Nunes Carreira (Universidade de Lisboa), José Riquelme Otálora (Universidad de Zaragoza) e Olivier Reverdin (Fondation Hardt – Suíça). Três pesquisadoras de universidades argentinas compareceram ao evento, como delegadas de suas instituição de origem, trazendo credenciais e estabelecendo o início de um profícuo trabalho de intercâmbio entre os dois países, que se estende até hoje.

Das mais de cento e vinte comunicações apresentadas no Congresso, sessenta e três foram encaminhadas à publicação, dando origem à coletânea intitulada Mito, religião e sociedade – Atas do II Congresso Nacional de Estudos Clássicos, organizada por Zelia de Almeida Cardoso e publicada em 1991, com recursos concedidos por VITAE Apoio à Cultura, Educação e Promoção Social. Os três cursos destinados aos alunos tiveram excelente freqüência. As atividades artísticas ficaram a cargo da Orquestra Sinfônica da USP, que participou da Sessão de Abertura, do Coralusp, que se apresentou na Sessão de Encerramento, e do Grupo “Giz-en-Scène” que fez leituras dramáticas de textos clássicos. As reuniões administrativas se realizaram normalmente, inclusive a primeira reunião do Conselho Editorial, que havia sido criado em janeiro de 1989.

Durante essa Reunião, que contou com o apoio da USP, do CNPq, da FAPESP, dos Bancos do Brasil e Itaú, da CEF e de algumas empresas privadas tais como a Klabin, a Metal Leve, a Nestlé e a São Paulo Indústrias Gráficas, foi eleita a terceira Diretoria que assim ficou constituída:

    Presidente: Donaldo Schüler (UFRGS);
    Vice-Presidente: Myrna Bier Appel (UFRGS);
    Secretária Geral: Dea Portanova de Barros (UFRGS);
    Secretária Adjunta: Eliana Inge Pritsch (UFRGS);
    Tesoureira: Miriam Barcellos Goettems (UFRGS);
    Tesoureira Adjunta: Lúcia Sá Rebello (UFRGS).

Posteriormente, por motivos de ordem pessoal, Dea Portanova de Barros pediu demissão de seu cargo, tendo o Presidente assumido os trabalhos que seriam da responsabilidade do Secretário Geral.

Infelizmente, a partir de outubro de 1989, o BEC deixou de circular. Embora os estudos clássicos estivessem consolidados, as Secretarias Regionais continuassem a realizar suas atividades, promovendo semanas de estudos, seminários e simpósios, as notícias sobre tais iniciativas se tornaram mais rarefeitas, escapando a muitos dos sócios da SBEC informações precisas sobre elas.

As outras publicações, entretanto, seguiram seu curso. Durante o biênio 89/91, foram publicados doze números de Textos de Cultura Clássica e entre o final de 1989 e o início de 1990 foram enviados aos sócios os dois primeiros números da revista Classica, finalmente publicados graças a recursos concedidos pelo CNPq.

A 5a Reunião Anual, cujo eixo temático foi “Vinho e pensamento”, recebeu novamente o apoio do CNPq e também da UFRGS, da CODEC/RS, do Banrisul, do Meridional, da FAPERGS e, sobretudo, da Prefeitura de Garibaldi, RS, município onde foi realizada, em julho de 1990. Constatou-se, nessa Reunião, de forma evidente, o resultado do primeiro encontro estabelecido no ano anterior entre investigadores argentinos e brasileiros, dedicados aos estudos clássicos: inscreveram-se para participar do evento vinte e um pesquisadores, provenientes das Universidades Nacionais de Buenos Aires, Rosário e La Plata, bem como da Universidad Católica Argentina. O número de trabalhos apresentados nessa Reunião foi bastante elevado – cento e onze trabalhos –, os sete cursos oferecidos sobretudo a alunos tiveram excelente freqüência e as reuniões administrativas correram de forma satisfatória.

Das comunicações apresentadas, trinta foram coligidas no livro intitulado Vinho e pensamento, organizado por Nely Maria Pessanha e Vera Regina Figueiredo Bastian e publicado no ano seguinte com o apoio da Prefeitura de Garibaldi.

A 6a Reunião Anual da SBEC, apoiada pela UFMG, pelo CNPq, pela FAPEMIG e por várias empresas privadas, ocorreu em setembro de 1991, em Belo Horizonte, em conjunto com o IV Simpósio de História Antiga e Medieval, constando de conferências, mesas-redondas e reuniões de Grupos de Trabalhos, nas quais se inseriram as comunicações inscritas. Foram convidados docentes e pesquisadores para pronunciar conferências, participar das mesas-redondas e coordenar os numerosos GTs, em que foram apresentadas 108 comunicações, das quais, graças a um auxílio específico da FAPEMIG, foi publicada uma seleção no Suplemento 1 de Classica, organizado por Jacyntho Lins Brandão e Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa. Como atividades artísticas da 6a Reunião, foi apresentado um concerto de piano e flauta, na Sessão de Abertura; uma adaptação livre de tragédias de Èsquilo e Eurípides foi levada à cena pela Companhia Teatral “Mergulho no Trágico”, que coordenou alguns workshops no decorrer do evento; houve também uma leitura dramática, conduzida pelo Grupo “Giz-en-Scène”, e uma apresentação de serestas, realizada pelo Conjunto Diamantina.

A Assembléia Geral renovou os Conselhos e elegeu a Diretoria para o biênio 91/93. Assim ficou ela constituída:

    Presidente: Jacyntho Lins Brandão (UFMG);
    Vice-Presidente: Maria Luiza Kopschitz Bastos (UFJF);
    Secretário Geral: José Antonio Dabdab Trabulsi (UFMG);
    Secretário Adjunto: Daniel de Carvalho Gonçalves (UFMG);
    Tesoureiro: Marcelo Pimenta Marques (UFMG);
    Tesoureira Adjunta: Teresa Virgínia Ribeiro Barbosa (UFMG).

A 7a Reunião Anual da SBEC foi realizada em Araraquara em 1992, como promoção conjunta da Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos e da UNESP. Uma vez que se comemorava nesse ano o bimilenário de Horácio e o quinto centenário da descoberta da América, foram dois os eixos temáticos da Reunião: “Horácio: dois mil anos” e “Viagens e descobrimentos”. O evento constou de 15 conferências, 9 minicursos e 145 comunicações, algumas compondo mesas-redondas e GTs, alternando-se as sessões acadêmicas com reuniões administrativas e atividades artísticas. Os trabalhos apresentados, dos quais grande parte se filiou aos eixos temáticos, exploraram também outros filões, que forneceram o temário dos GTs: “Lingüística e filologia”, “Literatura latina e grega”, “História”, “Filosofia”, “Arqueologia”, “Intertextualidade”. Entre os conferencistas convidados havia diversos pesquisadores estrangeiros, o que contribuiu para conferir à Reunião um caráter de internacionalidade: os Profs. Drs. Pierre Lévêque (Université de Besançon), Elisabeth Caballero de Del Sastre (Universidad de Buenos Aires), Giusto Mônaco (Istituto Nazionale del Dramma Ântico), Monique Clavel-Lévêque (Université de Besançon), Carlo Santini (Università degli Studi di Perugia). Apresentaram comunicações pesquisadores brasileiros provenientes da UNESP, USP, UFRJ, UFPR, UFPB, UFF, UNICAMP, FUEM, USU, UFRGS, FATEC, UFOP, UNB, URG, UFES, FNB, UFJF, FCJA, FUNREI, e vinte e cinco pesquisadores argentinos oriundos da UBA, UNLP, UNRos, Unipan, Conicet e UnLaPampa. As atividades artísticas constaram de leituras de textos clássicos, shows alusivos ao evento e apresentações de balé, danças gregas e peças teatrais.

A SBEC recebeu o apoio da do CNPq, da FAPESP, da UNESP e de empresas tais como Nigro, Cutrale e Lupo, o que permitiu não só a realização do evento como a publicação de uma seleção de trabalhos apresentados no Suplemento 2 de Clássica, organizado por Sílvia Maria S. de Carvalho, Edvanda Bonavina da Rosa, Fernando Brandão dos Santos e José Dejalma Dezotti.

Em 1993 realizou-se a 8a Reunião Anual da SBEC, na UFF, em Niterói, subordinada ao tema “Linguagem e poder na Antigüidade Clássica” e apoiada pelo CNPq, FAPERJ, UFF, UFRJ, Unibanco, Amil e Swains Arte. Contou-se, entre os conferencistas que apresentaram trabalhos no evento, com alguns convidados estrangeiros (Profs. Drs. Maria Helena da Rocha Pereira, da Universidade de Coimbra; Giuseppina Grammatico, da UMCE, Jean Bottéro, da École Pratique des Hautes Études), foram ministrados seis cursos, destinados sobretudo a alunos, e apresentadas 133 comunicações, a maioria das quais reunidas em onze GTs: “Antigüidade tardia”, “O discurso amoroso na Grécia e em Roma”, “O ensino das línguas clássicas”, “Filosofia, política e linguagem”, “Literatura e sociedade no Mundo Antigo”, “A mulher no Mundo Antigo”, “Relações de poder na Antigüidade”, “Retórica, política e poder”, “Do teatro clássico ao contemporâneo”, “Teorias da linguagem na Antigüidade”, “A tradição clássica na América”.

Recompuseram-se os Conselhos, de acordo com os Estatutos, e elegeu-se a Diretoria que responderia pela SBEC no biênio 93/95:

    Presidente: Maria das Graças de Moraes Augusto (UFRJ);
    Vice-Presidente: Ana Lúcia da Silveira Cerqueira (UFF);
    Secretária Geral: Sílvia Costa Damasceno (UFRJ);
    Secretária Adjunta: Laura Graziela F. Fernandes Gomes (UFF);
    Tesoureira: Neyde Theml (UFRJ);
    Tesoureira Adjunta: Norma Musco Mendes (UFRJ).

Posteriormente, como a Secretária Geral pediu demissão, por motivos de ordem particular, Antonio Orlando de Oliveira Dourado Lopes, da UFMG, foi indicado para assumir o cargo vacante.

Dadas as dificuldades econômicas que a SBEC vinha enfrentando nos últimos anos para a realização de eventos, foi proposta e aprovada pela Assembléia Geral uma alteração do Estatuto no que se referia à exigência de uma Reunião Anual. As Reuniões passariam a ser bienais e os congressos se realizariam de seis em seis anos dessa data para a frente, marcando-se para 1995 a 9a Reunião, que seria realizada conjuntamente com o III Congresso Nacional de Estudos Clássicos, no Rio de Janeiro.

continua >>


(*) Zélia L.V. de Almeida Cardoso, sócia fundadora da SBEC, é professora livre-docente de Língua e Literatura Latina da USP, ex-Presidente da SBEC e ex-Editora da CLASSICA.
 

1984-1987
1988-1992
1993-2004


Ilustração: Logotipo comemorativo do VI Congresso Nacional de Estudos Clássicos e dos 20 anos da SBEC.
 
   
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