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O V Congresso da SBEC e XIII Reunião Anual da SBEC, a serem realizados em Pelotas/RS, entre os dias 15 e 19 de setembro de 2003, elegeram como foco de reflexão Fronteiras e Etnicidade. A temática das fronteiras, além de ser um traço geográfico e cultural marcante da cidade que sediará o evento é, sobretudo, uma questão absolutamente atual, ao mesmo tempo que tradicional, nos debates travados nas Ciências Humanas e nos Estudos Clássicos. Além disso, a proximidade de Pelotas com o Uruguai e a Argentina, marco de sua condição de fronteira, facilitará a participação de colegas desses países, bem como do Chile.
Num mundo em processo de globalização, o destino das identidades e territórios nacionais torna-se uma grande interrogação. As próprias identidades pessoais são constantemente atravessadas por inúmeras marcas de mundialização. Diversas discussões acadêmicas e debates políticos são travados sobre as Fronteiras: a questão dos estrangeiros e imigrantes; os blocos continentais; a aldeia global por meio das comunicações on-line etc. Bem, e o que nós, estudiosos da Antiguidade, temos a contribuir para esse debate? Ora, citemos um único exemplo. Os processos de helenização e romanização são assuntos tradicionais nos Estudos Clássicos: de que forma essas discussões podem dialogar diretamente com o debate atual sobre mundialização e globalização? A questão fica em aberto para o congresso.
O assunto das fronteiras suscita inúmeras abordagens e reflexões nos estudos da Antiguidade. Em qualquer desses planos, fronteiras não devem ser vistas como o que separa, mas também como o que aproxima, o que coloca em contato. Fronteira é lugar de interação, de trocas, materiais e imateriais, está sempre presente no processo cultural de construção de identidade, no jogo entre o mesmo e o outro. Fronteira é o lugar da alteridade ao qual a identidade constantemente se remete para se consolidar e é nesse jogo sinuoso que as etnicidades se definem.
Desse modo, temos várias e distintas fronteiras que se sobrepõem e se justapõem: fronteiras territoriais, linguísticas, comerciais; fronteiras antropológicas entre o mesmo e o outro, identificadas nos hábitos culturais, seja na religião, na alimentação, no cuidado com os mortos, nas concepções urbanas (fronteiras entre o urbano e o rural) etc, fronteiras na interdisciplinaridade (Línguas, Literatura, Filologia, Arqueologia, Filosofia, História, Epigrafia, Ciência Política, Antropologia, entre outras) ou na comparação entre diferentes povos e períodos (as fronteiras na História Comparada); fronteiras entre o Oriente Próximo Antigo e o Mediterrâneo Antigo, tanto no sentido geográfico como cronológico (entre a Antiguidade Oriental e a Antiguidade Clássica).
EIXOS TEMÁTICOS
Como se vê, inúmeras perspectivas são abertas pela temática das fronteiras, motivo pelo qual buscamos agrupar as possibilidades de debate em seis eixos temáticos, que têm como objetivo sugerir caminhos possíveis de reflexão, dentro dos quais procuraremos organizar a distribuição das comunicações. Devem servir, então, como forma de inspiração comum, e não como restrição a outros caminhos distintos e fronteiriços para se pensar no problema das Fronteiras e Etnicidade.
- Fronteiras entre o Mundo Antigo e o Moderno. Reminiscências da Antiguidade no patrimônio cultural latino-americano.
- Cultura Material e Contatos Culturais. As evidências arqueológicas das trocas, circulações e interações, materiais e simbólicas.
- As Fronteiras das Línguas. O problema da comunicação entre os diferentes povos na Antiguidade. A questão étnica face a sobreposição entre as fronteiras linguísticas e as fronteiras territoriais. O impacto das culturas sobre as línguas.
- A Representação das Fronteiras na Literatura Clássica. A fronteira e o estrangeiro nos textos antigos; a fronteira como lugar de conflito e de interação. Representações dos costumes e paisagens dos povos localizados nas fronteiras ou para além das mesmas.
- Fronteiras Geo-políticas. Conflitos e expansões territoriais; rotas comerciais e viagens; os conhecimentos geográficos.
- Fronteiras entre a Identidade e a Alteridade. A construção cultural de identidade étnica na relação dialética entre o que as culturas definem como estrangeiro e como autóctone entre o que elas percebem como "si mesmo" e como "outro" (por exemplo, a noção de bárbaro). Essas construções culturais de identidade podem ser constatadas nos mais variados aspectos da vida cotidiana (alimentação, atividades econômicas, sexualidade, religião, festa, etc).
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Memoranda
• apresentação
• resumos dos trabalhos
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