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XIV CNEC :: Crônica
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XIV Congresso Nacional de Estudos Clássicos
Profa. Dra. Mariluze Ferreira de Andrade e Silva (*)

"Fronteiras & Etnicidade" foi o tema do V Congresso da Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos ocorrido no período de 15 a 19 de setembro de 2003 na XIII Reunião Anual da Sociedade Brasileira de estudos Clássicos, em Pelotas / RS.

O evento contou com uma excelente organização, a cargo de Fábio Vergara Cerqueira, Presidente da SBEC -— gestão 2001-2003 --, auxiliado pela Secretária executiva, a acadêmica do curso de História Chimene Kuhn Nobre; e pela Secretária executiva adjunta, Luciana Peixoto. Também fizeram parte da comissão organizadora as vice-Presidentes Paula Branco de Araújo Brauner e Margaret Marchiori Bakos, a Tesoureira - Kátia Maria Paim Pozzer, os Tesoureiros adjuntos - Eliana Inge Pritsch e Antônio Henrique Nogueira, bem como um qualificado comitê científico composto pelos professores Dra. Ana Maria Gonzáles de Tobia (Universidad de La Plata/Argentina), Dr. Anderson Zalewski Vargas (IFCH/UFRGS) Me. Carla Gastaud (ICH/UFPEL e Secretaria Municipal de Cultura de Pelotas), Dr. Cláudio Elmir Pereira (UNISINOS), Me. Edgar Barbosa (Curso de Turismo/UFPEL), Dr. Francisco Marshall (IFCH/UFRGS), Dr. Gabriele Cornelli (UNIMEP), Dra. Giuseppina Grammatico (Universidad Metropolitana de Santiago/Chile), D. Jacyntho Lins Bradão (UFMG), Dr. Jussemar Weiss Gonçalves (DBH/FURG). Dr. Marcos Caldas (CIEA/UFF), Dr. Mario Trajtenberg (Universidad de la Republica Oriental del Uruguai; Presidente de la Associación Uruguaya de estudos Clássicos), Dr. Pedro Paulo Abreu Funari (IFCH/UNICAMP) e mais uma equipe de apoio de que participaram 26 alunos da UFPEL.

O evento teve como Presidente de Honra o Prof. Dr. Donald Schüler; Patronesse, a Profa. Dra. Haiganuch Sarian. A Homenagem Póstuma foi para o Prof. Dr. Gerd Bornheim.

Este Congresso foi promovido pela Universidade Federal de Pelotas, contou com a co-promoção da Universidade Católica de Pelotas, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, da Universidade Luterana do Brasil, do Centro Universitário Ritter dos Reis e da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, contando, ainda, com o patrocínio da FAPERGS, da CAPES, do Banco do Brasil, do Instituto Camões, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Pelotas e da Secretaria Municipal de Cultura de Pelotas.

O conclave teve início, na verdade, com a chegada dos participantes no dia 14, quando o avião pousou em Porto Alegre, logo depois de 15 horas. No salão de recepção do Aeroporto, aguardando os congressistas, estavam Chimene Kuhn Nobre, Luciana Peixoto e Aluisio Gomes Alves, um dos acadêmicos da UFPel da equipe de apoio do evento. Apresentadas as boas vindas a quem chegava, os recepcionistas conduziram os visitantes para o pátio de estacionamento, em busca da condução, um grande ônibus de turismo. Começou a viagem rumo ao sul. Estrada estreita, mas bem pavimentada. A paisagem não sofre muitas variações. Terras planas, com muitas pequenas lagoas, pasto para o gado -- que se acumula, aqui e ali, -- vilarejos inexpressivos, um ou outro posto de gasolina. Fim de tarde. O Sol vai desaparecendo, à direita. Em frente, nuvens finas, longas, avermelhadas. A professora Eliana da Cunha Lopes (USS), cinegrafista de méritos, ia registrando, com habilidade, os pormenores das áreas percorridas.

No meio do trajeto, breve parada. Amplo salão-refeitório, limpo, bem arrumado, com petiscos diversos, onde todos comem alguma coisa, "espantando" a fome provocada pelo "almoço" do avião (um copo com água e um pedaço de chocolate). Perto de 19 h, as placas da estrada anunciam "Pelotas 12km". A "cicerone" nos mostra o mercado e, nele, a torre com seu curioso relógio. Passamos por algumas edificações de valor histórico. Não nos damos conta, com detalhes, do que nos dizem, por causa do cansaço e da ansiedade para encerrar a viagem de quase 4 horas de Porto Alegre a Pelotas. Finalmente o ônibus nos deixa no hotel.

Dia 15, segunda-feira, pela manhã, não houve atividades. A manhã estava fria e úmida. Após o café, algumas pessoas leram os jornais e conversaram animadamente, explicando presença no evento. A Sra. Dúnia veio de Santa Catarina, para saber o que se estuda "por aquí". A cinegrafista percorre algumas ruas da cidade. O frio e a umidade convidam a caminhadas. Andamos até o centro de convenções da Universidade, onde se ultimam os preparativos para os credenciamentos e a abertura do evento, logo mais, à noite. E enquanto se espera a noite, nas ruas, os colegas passeiam e fazem compras mergulhando na vida da cidade. Esta adquiriu um bonito poncho, aquele achou vistosa mala de couro. Outro busca uma doçaria...

Às 14h tiveram início as inscrições e os credenciamentos, no Saguão do Instituto de Ciências Humanas (ICH) onde os interessados receberam o material do Congresso, inclusive caderno de programação e resumos. Às 18h, a sessão de abertura, no Auditório Jandir Zanotelli (UCPEL) foi digna de um evento "clássico". Teve início com Patrícia Porto, ao violão, apresentando três canções, búlgara, grega e romena. Em bonito solo de flauta, Raul D'Ávila tocou Debussy. Enfim, doze cantores e uma solista do Conservatório da UFPEL (piano e flauta no acompanhamento) interpretaram "Orfeu e Eurídice", de Gluck. Às 19h e 30min, coube ao Prof. José d'Encarnação, de Coimbra, a palestra inaugural. De maneira bem humorada, o Professor lembrou fronteiras -- lingüísticas e culturais -- que separam as gentes, colocando a grande questão: mantê-las ou afastá-las. Em sua exposição, um item bem lembrado: a torre de Babel e as torres nova-iorquinas, derrubadas em setembro de 2002. Foi, assim, oficialmente, iniciado o Congresso.

Dia 16, terça-feira. Seis mini-cursos foram iniciados, às 8h30min, no ICH, sobre os seguintes temas e responsabilidade dos seguintes professores: 1. La transgresión visual como frontera: Ovídio, Metamorfosis III - Profa. Dra. Elisabeth Caballero de Del Sastre (UBA) e Profa. Dra. Eleonora Tola (UBA), 2. Tácito e os não romanos: estranhamentos e identidades - Profa Me. Juliana Bastos Marque (USP), 3. Os egípcios na fronteira do irreal: algumas considerações sobre o imaginário ocidental frente às interpretações da Egiptologia - Prof. Me. Cássio de Araújo Duarte (USP), 4. Ascensão, apogeu e queda de impérios no Oriente Próximo entre 1200 e 612 a.C. - Prof. Márcio Loureiro Redondo (Faculdade Teológica Sul Americana). 5. Les femmes mésopotamiennes - Profa. Dra. Cecile Michel (CNRS/França - curso dado em francês) e 6. Censura y libertad de expresión en la Atenas clásica: fronteras de la Parrhesía en la comedia aristofânica - Profa. Dra. Claudia N. Fernández (UNLP) e Prof. Emiliano J. Buis (UBA).

Entre 10 e 12 horas, foram apresentadas duas mesas-redondas, no ICH. Uma delas voltou-se para o tema das Fronteiras em gêneros e o engendrar de uma obra: a configuração do programa poético calimaquiano. Participaram os professores Alisson Alexandre Araújo (USP) apresentando como sub tema -"Entre o epigrama e o epinício: duas elegias agonísticas de Calímaco; Profa. Érika Pereira Nunes (USP) - "Confinidade e disparidade: a questão elegíaca; e Prof. Dr. João Ângelo Oliva Neto (USP - Coordenador) - "Calímaco entre a épica e a elegia". A segunda mesa focalizou o tema Ontologia e Henologia: Plotino como fronteira. Participaram dos debates os professores Me. Edrisi Fernandes (UFRN), com o sub tema "A Metafísica neoplatônica mais antiga: entre a antologia, a henologia e a meontologia"; Dr. João Lupi (UFSC) -- "Cosmologia de Plotino" e Dr. Oscar Federico Bauchwitz (UFRN - Coordenador) - "Ontologia e Henologia: Plotino como fronteira".

No começo da tarde, pela primeira vez no Congresso da SBEC, deu-se oportunidade a jovens iniciantes, permitindo que apresentassem, em painéis, seus projetos de Iniciação Científica. Os sete painéis (UFOP, UDESC, UFRS, UFMG, UFPEL) não se mantiveram rigorosamente dentro do padrão exigido pela SBPC, mas sua acolhida pela SBEC foi um incentivo para os alunos que se dedicam às pesquisas de estudos clássicos. A falta de experiência prejudicou alguns, com textos sobre fundo preto (impossibilitando leitura), textos muito longos, figuras desacompanhadas de legendas ou falta de adequada indicação bibliográfica. Presumivelmente, a idéia será mantida no futuro. Como o espírito da SBEC é abrir portas e não fecha-las, as portas foram abertas para a Iniciação científica e no próximo Congresso teremos contribuições mais ajustadas às normas da pesquisa científica.

No período tarde, às 14h, foram iniciadas as oito primeiras sessões de comunicações, apresentadas em diversas salas do Instituto de Ciências Humanas da Universidade. Às 15h 45min, uma terceira mesa-redonda focalizou o tema As tragédias de Sêneca e a questão da alteridade: tipologia das princesas estrangeiras na condição de personagem. Os debatedores foram: Profa. Dra. Zélia de Almeida Cardoso (USP - Coordenadora) com apresentação do sub tema "A princesa-feiticeira: Medeia, da Cólquida"; Profa. Dra. Cleonice Furtado Mendonça Van Raij (PUCCAMP), "A Princesa-rainha: Fedra, de Creta"; e Prof. José Geraldo Heleno (UNP) - "As Princesas-escravas: Iole, da Ecália, e Cassandra, de Tróia".

As palestras programadas focalizaram (1) Fronteiras entre mulheres e homens na "pólis" dos atenienses: relações de gênero, de autoria do Prof. Dr. Fábio de Souza Lessa (UFRJ); (2) Demétrios de Faleros: no limiar da política e da magia, Profa. Dra. Maria Regina Cândido (UFRJ); e (3) Fronteiras Internas Atenienses: espaços urbanos e rural no período Clássico, Prof. Dr. André Chevitarese (UFRJ - UNICAMP).

Às 17h45min, prosseguiram os mini-cursos com os seguintes temas e ministradores: 1. Reconfiguração das fronteiras entre identidade e alteridade no Judaísmo Antigo. Uma comparação entre os períodos da dominação persa (sécs. V-VI a.C) e a dominação helênica sobre Judá - Dr. Julio Paulo Tavares Zabatiero (Faculdade Teológica Sul Americana). 2. Os Monumentos epigráficos definidores de fronteiras - Prof. Dr. José d'Encarnação (Universidade de Coimbra/Portugal). 3. Gregos e Romanos nos paralelos de Plutarco - Profa. Me. Maria Aparecida de Oliveira Silva (USP). 4. Cinema, Theatro e mitologia: seis diretores em busca de Orfeu - Profa. Dra. Maria Cecília Miranda Nogueira Coelho (UDESC). Do Império à Idade Média: tópicos de literatura latina - Coordenadora Prof. Dra. Ana Thereza Basílio Vieira (UFRJ), Profa. Dra. Paula Branco de Araújo Brauner (UFPEL), Profa. Dra. Arlete José Mota (UFRJ), Prof. Dr. Alfredo Bragança Júnior (UFRJ). 5. Oficina de ensino de filosofia: filosofia para crianças - Prof. Dr. Gabriele Cornelli (UNIMEP / UMESP). Às 19h30min tivemos, no Auditório Jandir Zanotelli, a conferência Au-delá des Frontières: Le commerce des Assyriens en Asie Mineire au début du II millénaire av. J-C proferida pela Profa. Dra. Cecile Michel (CNRS/France). As ilustrações ajudaram na compreensão da palestra pesquisadora mereceu os aplausos recebidos.

Dia 17, quarta-feira. Mini-cursos. Mesa redonda, "Identidade e alteridade em Roma". Três palestras, discorrendo a respeito de (1) decretos babilônicos; (2) sociedade e economia na Babilônia (3) episteme e sophia, em Aristóteles. Na hora do almoço, na sala de vídeo, foi exibido o filme "Vidas em fuga", ou seja, "Orpheus descending" (1957), direção de S. Lumet, adaptação da peça de Tennessee Williams, em que Marlon Brando, com especial talento, interpreta um Orfeu de nossos tempos. A coordenadora da apresentação foi a Profa. Dra. Maria Cecília Miranda Nogueira Coelho (UDESC). O filme foi muito bem acolhido pelos que o assistiram. Ainda no ICH, a partir das 14 horas, foram retomadas as sessões de comunicações.

Às 15h30min, teve início a assembléia geral dos sócios da SBEC. Depois de todas as usuais formalidades -- leitura de atas, prestação de contas, leitura de relatórios dos Conselhos (Fiscal, Editorial da revista Clássica, Consultivo-deliberativo), das secretarias regionais e da Direção Geral -- procedeu-se à eleição da nova Diretoria, para o biênio 2004-2005. A nova Diretoria ficou assim constituída: Presidente, Neiva (Latim-UJF); vice-presidente, Fábio Vergara Cerqueira (História - UFPel); Secretário- Fábio Lessa (História - UFRJ); secretária adjunta: Ana Lúcia Cerqueira (Latim-grego - UFF/UFRJ); Tesoureiro - Jacyntho Lins Brandão (Grego - UFMG); Tesoureira adjunta - Maria Cecília Miranda Nogueira de Coelho (Filosofia / Letras - UDESC). A escolha dos membros para a composição da chapa foi muito criteriosa. A Profa. Neiva já passou pela experiência de Presidente da SBEC em mandato anterior ao do Prof. Fábio, tendo organizado o encontro em Ouro Preto a título de experiência para a FIEC/2004. Desse modo, nada mais justo do que reconduzi-la à Presidência no biênio em que se realizará o Congresso da FIEC em Ouro Preto. Fábio Vergara, como vice-presidente, foi uma boa escolha também pelo seu êxito na organização do Congresso de Pelotas e pelo ponto de referência no Rio Grande do Sul unindo Minas Gerais ao Sul do País. Muito aplaudidos, os novos diretores agradeceram os votos recebidos e asseguraram dar continuidade aos trabalhos da diretoria atual, com a mesma disposição e eficiência.

No início da noite, no teatro Sete de Abril, integrantes do Núcleo de Pesquisa em Teatro e História (campus de Gravataí) fizeram a leitura Dramática de "Agamemnon", de Esquilo, com vestes apropriadas. Contando com um experiente diretor de cena, usando vozes mais fortes e adotando a desejável entonação, o Núcleo poderá, em breve, apresentar a peça deixando de apoiar-se no texto escrito. Cumpre registrar que a peça de Ésquilo foi traduzida por JAA Torrano, professor da USP, muito conhecido pelo trabalho que há tempo realiza de nos trazer, com brilho, vários textos gregos. O professor Torrano comentou a narrativa de Ésquilo, de maneira minuciosa, ressaltando seus aspectos dramáticos.

Após os comentários em torno do texto esquiliano, os participantes do congresso da SBEC foram levados a um restaurante gaúcho. Ali se serviram de caldo quente, salada e carnes -- o famoso churrasco. O bonito espetáculo de dança, apresentado por vários casais (as "prendas" e os correspondentes "peões"), não tem similar no País e dele os atores e responsáveis podem orgulhar-se. No caminho de volta ao centro da cidade, no ônibus, um professor, contagiou os colegas, provocando muitos risos com suas brincadeiras -- fazendo com que o professor D´Encarnação acabasse cantando um fado -- muito aplaudido, a exigir nova performance...

Vale notar que já no segundo dia do Congresso, conhecendo-se melhor, as pessoas formaram pequenos grupos de conversação, trocando idéias a respeito de suas atividades específicas. Os diálogos, no saguão do ICH, eram acompanhados pelo incansável Presidente Fábio e por suas eficientes assessoras, Chimene e Juliana, prontas para atender a quem de algo necessitasse. É oportuno registrar que o saguão de ICH abrigou bancas de livros, muito bem examinados pelos congressistas (compradores inveterados), e balcões em que não faltaram os doces, alguns salgados e o indispensável cafezinho. Não custa mencionar, ainda, que muitos congressistas, após as jornadas diárias, jantavam no "Mamma pizza", nas vizinhanças dos hotéis em que se alojavam.

A manhã da quinta-feira foi agitada por seis mini-cursos, a mesa redonda coordenada pelo Prof. F.B. dos Santos (em que professores da UNESP, Araraquara, e da USP, falaram de Afrodite, Áulis, Ártemis) e três palestras, inclusive do Prof. Mario Trajtenberg, do Uruguai.

Depois do almoço, inúmeras comunicações. Como curiosidade, registre-se que vários expositores se sentiram "premidos" pelos minutos de que dispunham, alongando-se muito mais do que o permitido, ou falando com exagerada pressa, prejudicando a coerência ou a compreensão do que diziam. No fim da tarde, prosseguiram as reuniões de mini-cursos e realizou-se mesa-redonda, coordenada pela Profa. Ana T.B. Vieira, para exame da literatura latina.

Na Faculdade de Direito da UFPEL, às 19 horas, Fábio Cerqueira presidiu uma sessão de autógrafos. Sócios da SBEC, autores de livros lançados em 2003, foram postos na mesa, diante do público, para falar, em poucos minutos, de suas obras. Fábio deu aos presentes, uma "surpresa": dois de seus alunos encenaram um trecho interessante, de autor clássico. No mesmo auditório, encerrando as atividades do dia, Ana Maria Gonzales de Tobia (La Plata, Argentina) falou da tragédia grega e Giuseppina Grammatico (Santiago, Chile) comentou alguns textos de Heráclito.

No dia 19, último dia do evento, as atividades foram reiniciadas às 8h30min, com os mini-cursos, e prosseguiram às 10h, com a mesa-redonda Som e sentido na poesia latina: discussão acerca do papel do plano de expressão na produção de efeitos de sentido na poesia latina, do grupo dos professores da UNESP (Araraquara), coordenado pelo Prof. Dr. Alceu Dias Lima. Participaram da mesa os professores Alceu, com o tema "De metrificação e poesia latina"; João Batista Toledo Prado, "Um prosedema para a poesia latina" e Marcio Natalino Thomos, "Equivalência métrica na tradução de hexâmetro latino para o decassílabo português".

No mesmo horário, mais três palestras compuseram a programação. Do Prof. Pedro Paulo Abreu Funari (UNICAMP), a respeito de Contatos culturais na fronteira militar romana na Britannia; do Prof. Laurent Caron (IPT-Portugal), em torno de Arqueologia Clássica e Arqueologia de Emergência em Portugal; e da Profa. Thereza Baumann (Museu Nacional da Quinta da Boa Vista/UFRJ), acerca de Egito, Grécia e Roma no Museu Nacional da Quinta da Boa Vista.

Na parte da tarde, às 14 horas e às 15h 45min, os participantes puderam escolher ouvir e debater temas apresentados nas sessões de comunicações 33-40 e 41-48, respectivamente. Às 17h45min continuaram os mini-cursos previstos. Às 19h:30min, no Auditório Jandir Zanotelli, ouvimos a conferência de encerramento do conclave, proferida pelo Prof. Ciro Flamarion Cardoso (UFF) sobre Etnia, nação e a Antiguidade: um debate. Antes da conferência, o Presidente da SBEC entregou os prêmios aos três primeiros colocados da apresentação de painéis de Iniciação Científica.

Oficialmente, o evento encerrou-se nessa noite. Muitos congressistas deixaram a cidade, voltando para suas sedes. Vários, porém, tinham seu retorno programado para o domingo, dia 21.

No dia 20 de setembro, se repetem, no Estado do Rio Grande do Sul, as comemorações farroupilhas. A Comissão organizadora do congresso da SBEC preparou, pois, para os congressistas que ainda estavam na cidade, um passeio até Piratinin. Ali, desfrutaram as belezas histórico-culturais dos desfiles comemorativos e puderam visitar o Museu da cidade, que registra a história das lutas farroupilhas. Na volta, os congressistas participaram, em local aprazível, de um "café-colonial" -- que deu a todos a oportunidade para uma reunião informal, com trocas de informações e de experiências, aproximando as pessoas em dimensões menos acadêmicas e mais humanas.

No dia 21, Fábio Vergara Cerqueira, Chimene Kuhn Nobre e Luciana Peixoto levaram os congressistas de volta até o Aeroporto de Porto Alegre. A cronista distraiu-se com os "acertos de vôos e passagens", e não se despediu dos anfitriões. Foi bom assim. O Aeroporto de Porto Alegre não deve representar um ponto final de convivência -- sob as atenções de Fábio, Chimene, Luciana e dos alunos de História, do grupo de apoio. É bem provável que para termos tudo ao dispor, como tivemos durante o evento, a comissão tenha passado muitas horas em reuniões, preparando a programação e analisando a melhor maneira de oferecer o máximo conforto e bem-estar aos visitantes, planejando e executando, talvez com antecedência de um ano. Uma despedida social no aeroporto com um simples "muito obrigada(o) por tudo e parabéns pela organização" não expressaria nossa admiração pelo trabalho da equipe -- trabalho que está crônica tenta deixar registrado, na medida do possível.

Parabéns a todos. As ocorrências do evento, o empenho da comissão organizadora, o brilho das comunicações, dos cursos, das conferências -- tudo, enfim, contribuiu para que a cultura clássica desse mais um passo em frente, no caminho de total consolidação.

(*) Com agradecimentos ao Prof. Dr. Leonidas Hegenberg pela colaboração prestada.

 
Memoranda
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resumos dos trabalhos
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